15 de mar de 2011

Steven Spielberg justifica uso do motion capture no filme Tintin

Eu sempre me perguntei como seria uma adaptação de Tintin, a obra máxima do belga Hergé, para o cinema. Como seria mostrar para as novas gerações viciadas em gadgets e video games 3D uma série que não tem tanta fantasia e não aparenta ter os apelos visuais que o cinema de hoje exige e que constituem muitas vezes sua principal atração.


Quando ouvi falar que Steven Spielberg estava por trás de The Adventures of Tintin: The Secret of the Unicorn, fiquei na expectativa de um filme em live action. Mas o diretor se juntou aos estúdios Weta Workshop, de Peter Jackson, e bolou um filme em motion capture. Esta tecnologia captura movimentos e expressões dos atores através de super sensores colocados no corpo e os traduz para uma imagem digital, sendo um tipo de animação. O mesmo que eles fizeram recentemente em Avatar.

As primeiras fotos de Tintin são bem esquisitas, é triste ver que podemos ter mais um Beowulf da vida, um ótimo filme, mas que perdeu por usar uma técnica inapropriada. Quem assistiu percebeu o quanto aquilo parece irreal e tosco, os personagens não tem vida, em todos os movimentos são convicentes, mas falta alguma coisa lá no fundo dos olhos, sei lá. Imagina se isso acontece com Tintin, seria um desastre.

Mas o velho Spielberg veio justificar sua escolha do uso da técnica de motion capture, afinal ele é o velho Spielberg, porra:

"Hergé escreveu sobre pessoas fictícias inseridas em um mundo real, não em um universo de fantasia. Ele trabalhava com o universo real e usava a revista National Geographic como fonte de pesquisa para suas histórias de aventura. Pareceu-me que o live action ficaria muito caricato para o público se identificar, você teria figurinos que parecem um pouco exagerados quando vemos os atores usando. As roupas parecem cair melhor quando mostradas por uma mídia digital."

Ele também falou sobre como esta sendo sua nova experiência com motion capture dizendo que se sentiu como um pintor em um mundo virtual e que ficou fascinado por poder ver os atores em cena com toda aquela parafernalha de sensores no corpo mas poder vê-los na forma como eles aparecerão no filme em um monitor:

"Quando Andy Serkins corre pelo estúdio, Capitão Haddok está no monitor, completamente animado, correndo pelas ruas da Bélgica. Não são apenas os atores representados em tempo real, eles estão inseridos em um mundo tridimensional."

Bem, deixando as frescuras do Spielberg de lado, pois deve ser mesmo muito bom pra ele brincar com essa tecnologia, será que vai dar certo esse lance de Tintin em motion capture? Eu meio que duvido. Essa justificativa dele não me parece nem um pouco convicente, alguém ai acha mesmo exagerado as roupas de um filme como Piratas do Caribe, ou qualquer fime de super herói? É lógico que figurino funciona dentro de um contexto e as roupas de Tintin não são tão exageradas assim. Será que ele não ta fazendo isso só pra tentar convencer as novas gerações a comprar o filme?


Tintin tem estreia marcada para 23 de dezembro de 2011.

Via Comic Book Movie


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