13 de abr de 2011

A Panini Vertigo vai muito bem, mas não quer saber dos Invisíveis!


A publicação do selo Vertigo no Brasil sempre foi problemática, a maior parte dos títulos eu só consegui concluir a leitura em scans, creio que esse é o caso da maioria dos leitores. Acompanho os lançamentos da Vertigo desde a época da Abril, Globo, Metal Pesado, Brainstore, Pixel... ah eu nem lembro de todas!

Depois que a incompetente Pixel pulou da barca há uns dois anos atrás eu logo pensei que a Panini seria a melhor opção, ou a menos ruim, para assumir os títulos. Quando isso aconteceu eu fiquei realmente muito contente. Os chatos de sempre reclamaram dizendo que ia ser o fim, os puxa sacos disseram que seria o paraíso pros fãs, mas não foi nem uma coisa nem outra: a editora, apesar de seus execráveis atrasos, erros de português, revisão porca e traduções ruins, até agora tem feito um trabalho razoável.

O editor da linha, Fabiano Denardin, deu entrevista para o Blog dos Quadrinhos, sobre o futuro das publicações Vertigo no Brasil. Ele garantiu, por exemplo, que o final de Preacher será publicado ainda este ano.

Denardin também afirmou que as vendas tem sido satisfatórias, mas que a editora não pretende saturar as bancas e livrarias com uma quantidade grande de títulos. É necessário, segundo ele, que as séries possam se firmar junto ao leitor antes de novos lançamentos. Sobre os critérios da editora para definir detalhes da publicação, como o tipo de capa, por exemplo, o editor comentou que há um direcionamento de algumas séries mais populares para as bancas e as menos conhecidas são voltadas para a venda em livrarias. A prioridade da Panini estaria em concluir a publicação de séries iniciadas pelas editoras anteriores. O último volume de Preacher já estaria sendo traduzido.

Para o editor "É difícil garantir a continuidade e a conclusão de uma série longa cuja popularidade não seja muito boa e, consequentemente, não tenha vendas estáveis. (Aliás, até mesmo séries populares já tiveram essa dificuldade aqui! É só ver o histórico de publicações Vertigo.) Alguns leitores comparam o nosso ritmo de lançamento com o da DC, por exemplo, sem conhecer as diferenças entre os mercados. O mercado de bancas tem muito mais armadilhas para quem publica do que o mercado de venda diretas típico dos Estados Unidos, que divide o risco entre quem publica e as comic shops que revendem o material. Mas estamos tentando nos cercar de todos os cuidados necessários".

O editor não quis dar detalhes sobre novos lançamentos além dos que já foram anunciados no site da editora, como o quinto volume de Y- O Último Homem, a conclusão de Loveless e mais um encadernado de Fábulas, só ressaltou que eles pretendem lançar os primeiros números de 100 Balas, Ex Machina e Fábulas, que começaram a ser publicados a partir do terceiro e quarto números pela Panini, pois já haviam sido iniciados por outra editora.

Eu fiquei surpreso com a Panini até agora, pela seriedade com que eles estão encarando o selo Vertigo e mais ainda por saber que eles estão obtendo bons resultados em termos de vendas. Mas discordo dessa seleção de materiais para livraria diferir do que se lança em bancas, acho que Sandman, por exemplo, deveria ter uma versão em capa cartonada, ou até mesmo em formato de gibi mensal, acho que aquele formato absolute não compensa pela qualidade ruim da tradução e é difícil de atrair novos leitores. Mas é lógico, isso depende muito de ponto de vista.

No entanto, a principal falha da Panini até agora é que há um silêncio completo quado se fala sobre Invisíveis. Uma das melhores séries já lançadas pela Vertigo (não é minha preferida, mas eu gosto) é simplesmente desprezada pela editora. Dias atrás alguns tuiteiros desocupados criaram a hashtag #publicaINVISIBLES pra reclamar da Panini. Nenhuma resposta.

A afirmação do editor ai em cima de que é difícil garantir a continuidade de séries longas que não são muito populares pode explicar o silêncio da Panini com relação a Invisíveis, da mesma forma a ausência de interesse em Promethea. Explicação óbvia. Essas duas séries podem ter grande valor como quadrinhos, mas sua popularidade e valor comercial podem deixar a desejar.

Além disso, será que o pessoal que ta pedindo pra Panini publicar Invisíveis vai mesmo comprar a revista, ou vai só pegar pra escanear e "compartilhar" na cara de pau? As traduções de scanzeiros que rolam por aí são na maioria muito ruins. Eu acho que tem até um pessoal que vai comprar, mas não creio que chega a ser o suficiente pra manter encadernados nas bancas, mais ainda se lançarem em edições de luxo.

Por enquanto ficamos sem Invisíveis no Brasil, apesar de saber que a Panini Vertigo vai muito bem, obrigado.

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