28 de abr de 2011

O que é isso, Superman?

Só pode ser uma conspiração Iluminatti com ajuda do Foro de São Paulo, uhauhuahua, veja só, Superman vai renunciar a sua cidadania americana na Action Comics #900!!

Mas como isso pode acontecer? Superman sempre foi o símbolo de tudo que é americano, a Verdade, a Liberdade, a Justiça e a Oportunidade. Mesmo sendo um alienígena, um imigrante, o personagem simboliza a América em tudo que ela tem de bom e de ruim, inclusive o imperialismo. Será possível que o maior símbolo da cultura pop ianque não quer mais ser americano?

Esta edição especial de 96 páginas traz grandes nomes da cultura pop atual, que já trabalharam ou não com o personagem. A história principal, com 51 páginas, mostra a conclusão da saga "Black Ring", em que Superman enfrentou um Lex Luthor superpoderoso, escrita por Paul Cornell e desenhada por Peter Woods e Jesus Merino, com participação de Dan Jurgens, Rags Morales, Ardian Syaf, Jamal Igle e Gary Frank.

Richard Donner, diretor dos filmes clássicos, Derek Hoffman e Matt Camp apresentam uma historinha em forma de story board de cinema. Também participam da edição: Brian Steelfreeze, David Finch, Alex Ross, Adam Hughes, Damon Lindelof, Ryan Sook, Geoff Johns, Gary Frank, Paul Dini e RB Silva.

Mas a novidade impactante ficou por conta da história curta "The Incident", de David S. Goyer e Michael Sepulveda. Pra quem não sabe, Goyer será o roteirista do próximo filme de Superman, dirigido pelo ilustre "visionário" Zack Snyder.

Nessa história Superman tem um encontro com o conselheiro nacional de segurança do Presidente americano, ele tá irado por que o azulão foi visto apoiando protestos pacíficos contra o regime iraniano. A treta é o seguinte, como o Superman é um simbolo americano não só no mundo real, mas até mesmo dentro do Universo DC, sua presença ali é vista como um ato de guerra pelo governo de Ahmadinejad, como se ele tivesse sido enviado pelo próprio Presidente dos EUA.


Dai o que acontece você pode ver acima, Superman afirma que vai até a ONU no dia seguinte para informa-los que está renunciando a cidadania americana.

"Estou cansado de ter minhas ações entendidas como instrumentos da política americana. Verdade, Justiça e o modelo americano não são mais suficientes."

Em um outro quadro o herói declara que pretende seguir defendendo seus valores sem se apegar a nenhuma nação específica, vai passar a atuar de uma maneira mais global, considerando-se um cidadão do universo. Mas que diabo é isso?

Eu já devo ter escrito aqui que considero o Superman uma puta propaganda americana, mas não é isso que me faz desgostar do personagem, é só o fato dele ser poderoso demais, nada além disso. Não tenho nada contra o fato dele ser americano e usar as cores da bandeira, pelo contrário, pra mim se houvesse um personagem tão simbolicamente poderoso no Brasil eu acharia demais e admiro os americanos por expressarem um amor pela sua pátria, vejo que é por isso que eles são tão ricos e vivem confortavelmente, com liberdade pra todos.

Acho que super-heróis são coisas de americanos mesmo, faz parte da mitologia deles, do American Way. Nós gostamos disso por gaiatice, por que é divertido, mas o sentido real da coisa nunca passa pela nossa cabeça. Os super-heróis não poderiam ser criados no Brasil ou na Inglaterra, como diz Alan Moore, isso tem mais a ver com a paranoia americana de interferir em outros países e querer ter sempre uma superioridade bélica a seu favor. Por outro lado, tem a ver com uma visão de mundo simplista onde bem e mal tem seu lugar definido.

Não gosto da ideia de um super-herói como Superman deixando de ser americano. Pra mim isso tem muito de simbólico, tem muito a ver com o que tá rolando hoje no mundo.

Vejamos por exemplo a guerra que tá rolando lá na Líbia. Precisava a OTAN ter mandado atacar as forças de Gadaffi? Cadê a soberania desses países? Quem tem de resolver essas questões são eles. Não que eu apoie Gadaffi, que é um ditador, mas acho que a utilização de uma força internacional na verdade é só um disfarce pra dar um golpe na Líbia e no final, os países envolvidos vão dividir o petróleo! Antigamente eram os americanos que resolviam isso, mas hoje, na era Obama, parece que eles se abstém, mesmo continuando duas guerras no oriente médio. Hoje a intervenção se torna "internacional".

E agora o Superman se torna internacional, ou universal, ou multiuniversal, mas não deixa de representar a força. Ora, em que isso implica?

Os paranoicos conservadores de plantão falam que está em curso um plano para se criar um governo mundial, com impostos mundiais e uma polícia mundial, por isso os EUA perdem cada vez mais a sua imagem de grande nação, líder do mundo e com poderes pra intervir nos outros países. Sem dúvida que essa história de Superman vai trazer um motivo pra discussões nesse meio, por que vai ser considerado o sinal do declínio da soberania americana, rumo a criação de um regime global de caracter esquerdista.

Na Wired saiu uma matéria dizendo que Superman sempre foi maior do que os EUA, e eu pergunto, desde quando? Esse papo de que ele teria sido inspirado no super homem de Nietzsche nunca procedeu, sendo uma invenção de seus detratores. Gente como Frederic Wertham, que neste documentário que eu postei aqui, tenta associá-lo ao fascismo. Mas a Wired, sendo uma revista de tendências esquerdistas, só pode retratar como positivo um fato destes.

Agora todos aqueles que tem essa tendência antiamericana vão se sentir super contentes (e eu não sei por que essas pessoas leem quadrinhos de super-heróis, mas é verdade que muitos leem), vão achar isso uma graça. Já os conservadores vão dizer que é uma expressão do politicamente correto, como já estão comentando aqui na Fox News. Daqui a pouco Superman vai virar comunista, gay, vegetariano, multiracial, ateu, e por ai vai.

Entendo que uma pessoa possa ser esquerdista, entendo que possa se opor a cultura intervencionista americana. Mas não entendo como alguém pode ser antiamericano. Por que pra mim o imperialismo nem sequer tem a ver com os valores dos EUA, sendo uma distorção, inclusive a atual "guerra ao terror" que tira a liberdade dos próprios americanos é uma traição dos homens que estão no poder. Pra mim o estilo de vida deles, pelo menos no que era originalmente, e isso inclui os quadrinhos que tanto amamos, ainda é admirável.

O fato é que os EUA não são mais o mesmo país, está se corroendo por dentro, perdeu seu próprio rumo e o mundo não é mais o mesmo de quando os dois imigrantes judeus Jerry Siegel e Joe Shuster criaram o Superman como um imigrante alienígena que foi adotado pela América, mas decidiu dedicar a vida a defender seus valores.

Essa pode ser apenas uma história comemorativa que não vai influenciar em nada o personagem, mas não devemos esquecer que ela foi escrita pelo futuro roteirista do próximo filme do Homem de Aço, aquele que vai ajudar a redefinir o conceito que temos do herói talvez por vários anos. Então, o que virá por ai?

Eu ainda prefiro o Superman do Cavaleiro das Trevas de Frank Miller, como um bom soldado americano, no papel para o qual foi criado, mesmo que eu não concorde com ele.



(Ah, a imagem do Super comunista é só pra tirar sarro)



...

1 Comentário:

Davi disse...

Foi só ameaça,
era de se esperar ...

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