30 de mai de 2011

Celluloid: Dave McKean aposta em erotismo sofisticado


Sexo, cinema, arte, imagem, beleza estética, tudo isso em uma história em quadrinhos. Foi o que o artista Dave McKean tentou fazer em Celluloid, graphic novel lançada este mês nos EUA pela editora Phantagraphics.

O enredo é muito mais do que subjetivo: Em um momento de frustração sexual, uma mulher encontra um projetor de filmes e um rolo de película que mostra casais fazendo sexo. Assistindo ao filme a mulher mergulha em um universo onírico de fantasias sexuais, iniciando apenas como uma voyeur, mas aos poucos se envolvendo em várias práticas eróticas com as criaturas que ela encontra em seus sonhos.

Mckean então passeia pelo universo da história das artes, fazendo referências a pinturas expressionistas, impressionistas, futuristas e cubistas. Em especial Hans Belmer, Jan Saudek, Pablo Picasso e Marcel Duchamp são citados. Iniciando o livro com o seu estilo de desenho linear, aos poucos vai inserindo técnicas de pintura e colagem, até chegar ao misto de fotografia e ilustração que já é sua marca pessoal como artista.

Em entrevista ao CBR McKean disse que pensou em fazer uma HQ sobre sexo, como uma oposição aos quadrinhos de violência que são de longe o maior sucesso editorial.

"Há muitas HQs sobre violência, não consigo me entreter com isso, e eu prefiro que a violência não faça parte da minha vida. O sexo, por outro lado, é algo que a maioria das pessoas curte, porém ele raramente é o tema das HQs. A pornografia é geralmente repetitiva, feia, maliciosa, no máximo serve pra quebrar o galho. Sempre quis fazer um livro que fosse pornográfico, mas que também fosse belo e misterioso, que desafiasse a mente."

O livro não tem dialogos, sobre isso o autor afirmou que nao os achou necessários:

"Acho que as conversas no momento do sexo são ridículas, então busquei uma experiência mais próxima da música do que da literatura. Também pensei que seria mais interessante se fosse da perspectiva de uma mulher e que fosse essencialmente fantástica, uma série de sonhos sexuais permitindo uma visão mais impressionista, tentando expressar os sentimentos de cada etapa (do sexo), ao invés de simplesmente mostrar o que acontece. Isso a pornografia já faz muito bem."

Cores, linhas, texturas, tudo na obra tem um motivo claro. Após anos afastado das HQs, sem apresentar uma obra solo, McKean buscou o cinema e os quadrinhos europeus como inspiração. Teve cuidade de não se aproximar da pornografia comum, evitando simplesmente mostrar cenas de sexo. Também buscou não relacionar o erotismo a violência, uma tendência comum. Para o artista, sexo e violência não combinam, a obra tem muito de sua vida pessoal.

Cada capítulo mostra um aspecto da relação sexual, que pode ser sexo oral, masturbação, etc., cada um tem um esquema de cores e um estilo artístico diferente. A medida que a mulher se envolve com a história os desenhos lineares caminham rumo a fotografia, onde foram usados modelos profissionais.

Dave McKean reafirma seu gênio como um dos maiores criadores das artes gráficas de todos os tempos. Celluloid tem 282 páginas, veja o preview abaixo via Comics Alliance e CBR, simplesmente sensacional.






























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