20 de jan de 2012

As primeiras representações de Conan 0 Bárbaro


Toda vez que sai uma nova versão de Conan tem aquela discussão a respeito de sua aparência. Seria ele um cara apenas atlético ou um halterofilista? No último (e terrível) filme prevaleceu a primeira opção, ao contrário dos filmes antigos. Nos quadrinhos, Conan já foi representado das duas formas. Com destaque para a versão mais atlética, de Barry Windsor Smith e Cary Nord e a mais bombada, de John Buscema e Earl Norem.

A nova versão será lançada pela Dark Horse no próximo mês e trás um Conan bem fraquinho, nem atlético chega a ser, parece mais um garoto afeminado, no modelo de beleza apreciado hoje em dia. Por isso eu o chamei de Conan Crepúsculo, ou Conan Daytripper, de tão ruim e pseudocult que o desenho parece.

Robert E. Howard descreve Conan como um gigante, ninguém seria mais forte que ele, poderia ser mais alto, porém, mais forte ninguém era.

Mas como era Conan antigamente, no ínicio, nas revistas pulp que publicaram os contos de Robert E. Howard pela primeira vez? Procurei no site Golden Age Comic Book algumas ilustrações e achei um Conan bombadão, nada de afeminado. Ele parece fraquinho, mas é na verdade bem musculoso nos padrões de representação da época.

Aqui as 9 capas da revista Weird Tales, onde os contos de Conan apareceram pela primeira vez, a partir de 1932. Em algumas capas ele nem aparece, o destaque são para figuras femininas. Os desenhos são de Margaret Brundage.


Essa é a primeira capa em que Conan aparece, vejam como ele é forte, atlético, mas pra nós parece fraquinho. Isso é o máximo de músculos que se colocava em um personagem, são os padrões da época, as mulheres também parecem meio esqualidas. Ele não era um halterofilista, mas é bem forte. Maio de 1934.


Aqui um Conan igualmente atlético, em agosto de 1934.

E em dezembro de 1935 ele parece morto de fome. Um mau desenho, sem dúvida.

As outras capas só tem mulheres.






Nas edições de livros da Gnome Press, que seguiram mostrando contos de Conan por vários autores entre 1950 e 1957, o Cimério já aparece mais forte, porém ainda não é uma montanha de músculos. Mais uma vez, é o padrão da época. A arte é de John Forte, David Kyle, Kelly Freas, Ed Emshwiller e Wally Wood.



Em algumas capas ele não aparece, mas eu inclui aqui por curisidade.


Dai vem aquele cara que muda tudo, Frank Frazetta, junto com John Duillo definiram o Conan fortão, nas edições americanas da Lancer, entre 1966 e 1971 e nas edições britânicas da Sphere, entre 1973 e 1978.



Também tem pinturas de Frank Frazetta. Nossa como esse cara era bom! E Conan é um peso-pesado!

E foi assim que Conan se transformou no halterofilista, pela mudança dos padrões de época e a chegada de Frazetta. Quando lançou os quadrinhos, a Marvel contratou Barry Smith, mas em seguida veio Buscema, e ele seguiu o padrão Frazetta, que se tornou o modelo de maior sucesso. Smith fazia um Conan fraquinho, mas era estilo, em todas as suas HQs os heróis parecem pouco musculosos, veja Arma-X.

Nos anos 1930, no início, Conan era meio fracote, como todos os heróis, segundo nossa visão atual. Duvida? Então veja aqui a primeira edição do Superman, de 1938, ele parecia um fracote. Essa coisa de representar heróis com muito músculo começa nos anos 1960.

Qual Conan eu prefiro? Um Conan bem desenhado e que ponha medo em seus oponentes. Um Conan fresquinho e magricela como esse de Becky Cloonan pra mim não é Conan.

Via Golden Age Comic Book



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