15 de set de 2011

Absurdos revoltantes dos quadrinhos no Brasil


Voltando a questão dos quadrinhos nacionais, não posso deixar de anotar duas situações que me deixaram realmente furioso nos últimos dias.

1- Ler um quadrinho brasileiro é mais barato no exterior.

Dizem que querem incentivar os quadrinhos nacionais. Publicam aqui artistas que atualmente fazem carreira com trabalhos autorais no exterior. Mas o absurdo e prova do desrespeito ao leitor brasileiro é o preço.

Anos atrás Rafael Grampá publicou por conta própria o gibi Mesmo Delivery e levou para os EUA, ele chamou a atenção de artistas e editoras, vendeu os direitos para o cinema e ganhou o Prêmio Eisner pela coletânea 5, de que participou. A fama fez com que Mesmo Delivery fosse publicado no Brasil pela editora Desiderata.

Mas o bizarro da situação foi que aqui a Graphic Novel era mais cara do que nos Estados Unidos, país onde, não preciso nem dizer, a população tem muito mais renda. Com a palavra o próprio artista, na revista O Grito.

"Mais de um mês depois, Mesmo che­ga­ria ao Brasil, pela edi­tora Desiderata, que mesmo sem falar em núme­ros exa­tos afirma que foi um de seus livros que mais ven­deu. “Quando lan­çei o gibi aqui minha vida já tinha mudado bas­tante, por conta de todo esse hype, do Eisner”, recorda Grampá. Mesmo tendo “ven­dido pra cara­lho”, Grampá dis­corda do preço, muito sal­gado para o mer­cado naci­o­nal. “Não aguento esse papo can­sado de que HQ não vende. Acho que o edi­tor tem que fazer a parte dele”, reclama. “Os edi­to­res sabem que ganham na quan­ti­dade da venda, por isso eles fazem uma base de lucro que não leva em conta que se o preço fosse baixo ven­de­riam mais”. Grampá entre­gou a arte de seu livro pronta, sem rece­ber adi­an­ta­mento de pro­du­ção. “Eles botam 40 paus pra que? Pra não ven­der”. A edi­ção norte-americana, pela ADHouse Books custa 12,50 dólares."

(na cotação de hoje, 12,50 dólares equivale a R$ 21,37)


Agora a façanha se repete.

Fábio Moon e Gabriel Bá publicaram no ano passado, pelo selo Vertigo, a série Daytripper. O sucesso foi enorme e até hoje eles colecionam os mais importantes prêmios. O encadernado foi lançado em fevereiro deste ano e foi best seller do New York Times, com preço de capa de 19,99 dólares, na cotação de hoje, o equivalente a R$ 34,20.

No Brasil a Panini acabou de lançar o mesmo encadernado, mas para enganar os consumidores brasileiros cara-de-cu, enfiou uma capa dura e colocou o preço lá no alto: R$ 62,00!!!!

É assim, meus amigos, que se incentiva os quadrinhos no Brasil, fazendo com que seja mais barato ler os autores brasileiros ... NO EXTERIOR!

Não é revoltante???

2- Grande evento recruta escravos voluntários

Passeando por um fórum sobre HQs, dei de cara com um tópico que me deixou de cabelo em pé. O FIQ, Festival Internacional de Quadrinhos, um dos grandes eventos da área realizados no Brasil, publicou a poucos dias a seguinte chamada em seu blog oficial:

"O FIQ é o maior evento de quadrinhos da América Latina e, como qualquer um desse porte, precisa de muitas pessoas dispostas a fazer com que ele aconteça, além de gente que cuide para que o Festival se supere a cada edição. Pensando nisso, o FIQ lança a proposta: estamos convocando voluntários para trabalhar conosco. Ótima oportunidade para adquirir conhecimento, além de poder participar dos bastidores de um grande evento.

Os interessados devem enviar um email para voluntariofiq@gmail.com, com nome, idade, mini currículo, disponibilidade e telefone. As inscrições serão analisadas e selecionadas pessoalmente pela organização do evento.

Lembrando que o FIQ acontece em BH, na Serraria Souza Pinto, de 09 a 13 de novembro."

É isso ai, veja o nível de profissionalismo destes eventos no Brasil. Pra quem não sabe, o FIQ deste ano será realizado pela Prefeitura de Belo Horizonte, com apoio do Governo do Estado de Minas Gerais e patrocínio da OI, uma das maiores empresas do Brasil. E mesmo assim, eles tem a cara de pau de recrutar trabalho voluntário!!!

Cadê o dinheiro desse evento???? Cadê o profissionalismo???

Se eles querem formar mão de obra, ótimo, mas contratem estagiários, contratem pessoas, mas não venham com essa de chamar gente desocupada pra trabalhar de graça, tendo como pano de fundo o apoio de uma empresa milionária e o poder público.

Esse é o tipo de coisa que me revolta nos quadrinhos nacionais, coisas absolutamente bizarras, contraditórias e indecentes, que me fazem duvidar do futuro dos quadrinhos nesta terra desolada!

O que você acha?


...

2 Comentários:

Jefferson Leite disse...

Confesso q não comprei Mesmo Delivery justamento pelo preço. O problema é que a Desiderata realmente é uma editora careira, por isso, nunca compro nada dela, mesmo desejando!!!

Marcelo disse...

O Brasil é uma Terra que deve ter sido onde Lúcifer caiu com seus anjos aliados revoltosos. Quer dizer que a tal FIQ que recebe dinheiro público e privado quer trabalhadores escravos para que seus organizadores lucrem ainda mais? Esses mesmos organizadores que tem a cara de pau de apoiar ditaduras e reclamar do capitalismo? Ah! Já entendi, eles odeiam o capitalismo, mas adoram o dinheiro dos impostos dos trabalhadores e de empresas privadas e querem escravizar tolos para que mais dinheiro engordem suas rechonchudas contas. É por isso que eu quero ir embora desse país e esquecer esse idioma.

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