4 de jan de 2013

Comunistinhas de faculdade odeiam Stan Lee





Quando, dias atrás, escrevi um pequeno post na fanpage do blog em homenagem ao aniversário de Stan Lee, procurava uma imagem do Poderoso Thor relacionada ao meu texto, vi por acaso (santo acaso!) uma imagem em que estava escrito "O Poderoso Thor ou Stan Lee enquanto mito".


Para minha surpresa, a imagem era do blog Raio Laser, um blog que já elogiei diversas vezes, não por concordar com as ideias que apresenta, mas pela qualidade dos textos.


Era de um post sobre Stan Lee e a criação de Thor que eu não tinha lido ainda. Mas era tão absurdo e ridículo que fiquei indignado. No mesmo dia ia fazer um comentário, mas preferi guardar para outro momento e não estragar um dia de celebração.

O post abaixo faz afirmações tão idiotas sobre Stan Lee que eu não poderia deixar passar batido:


Acusando as histórias originais de Thor do início dos anos 1960 de "pobreza conceitual e artística", o autor tentou diminuir a imagem de Stan Lee enquanto criador de quadrinhos.

Segundo ele, as histórias em que Thor luta, junto com os humanos comuns, contra a ameaça comunista, são pobres em caracterizações e profundidade. Na história “O poderoso Thor x o executor”, por exemplo, os vilões são militares com rostos deformados que usam símbolos comunistas, praticam fuzilamentos e estupros, são autoritários, desejam destruir os EUA e dominar o mundo. Segundo o intelectual autor desse texto "Nada sobre o mundo do socialismo é revelado" nessa história.

Em histórias como “Prisioneiro dos vermelhos”, “Aprisionado pelo copiador”, e outras em que Thor ajuda a combater os comunistas, toda a bordagem seria genéria e preconceituosa, mas uma vez não mostrando nada de real sobre os comunistas.

Em seguida o autor tenta se desculpar dizendo que Lee tem sua importância na cultura ocidental, mas precisa ser "problematizado' por ter uma visão "politicamente limitada".

Lí esse texto até o final e tive um engulho, mas segurei. Porém, a mão que afaga é a mesma que apedreja, e decidi me manifestar.


Ora, o que acontece nas histórias de Thor feitas por Lee e Kirby é não só perfeitamente justificável como compreensível, mas desejável e até insuperável!

A abrangência da representação dos comunistas feitas nessas histórias é tão exata que chega a ser mítica.

Em 1953, Nikita Krushev havia denunciado os crimes cometidos por Stalin no regime comunista da União Soviética, o mundo inteiro já os conhecia e dizia-se que Lênin, antes de Stalin, havia cometido crimes semelhantes. Quando chegamos em 1962, época da concepção dessas histórias de Thor, todos já conheciam a verdadeira face do comunismo: era um regime monstruoso, todos os seus líderes e seguidores, sem exceção, eram sádicos assassinos, torturadores, escravizadores, fuziladores. 

Até então, mais de trinta milhões de pessoas tinham sido assassinadas pelo comunismo só na URSS, o regime se espalhava pelo mundo e matava cada vez mais. Até o fim do século 20 foram pelo menos 110 milhões de pessoas que morreram em prisões, fuzilamentos, torturas, guerras, ou que tiveram seus alimentos confiscados pelos comunistas. Os comunas realmente desejavam destruir os Estados Unidos e todo o Ocidente, espalhar seu terror vermelho pelo resto do mundo. Para isso, enviavam milhares de agentes a todos os cantos do planeta, sequestravam e matavam intelectuais, cientistas e todos que ousavam se opor a seus planos.

Qual era a face do comunismo? A face de um Monstro cruel e sanguinário. Ninguém que não fosse comunista, idiota ou psicopata, imaginaria algo diferente. Quando Lee e Kirby mostraram os comunistas como caricaturas de monstros semi-humanizados, eles captaram a alma dos comunistas!

Qualquer outra abordagem seria mentirosa. Ao contrário do que diz o texto do blog Raio Laser, Lee e Kirby demonstraram intuitivamente a maior de todas as verdades políticas de sua época. Politicamente limitado seria buscar sutilezas, nuances ou relativizar valores quando você tinha um regime comprovadamente monstruoso feito por ditadores monstros que matavam pessoas como quem coça o bigode. Tudo isso hoje é historicamente confirmado e os dados são acessíveis a todo mundo.

Mas, por que o autor do texto tenta diminuir Stan Lee e pede uma abordagem mais aprofundada da questão, quase exigindo uma representação simpática de comunistas? 

O meio universitário brasileiro está contaminado com ideias da Escola de Frankfurt, um grupo de marxistas que se reuniu na década de 1930 e definiu que, para que a revolução socialista mundial tivesse êxito, seria necessário que qualquer ícone básico da cultura ocidental (Stan Lee, super-heróis, etc) devesse ser atacado, diminuído e, se possível, destruído, para renascer enquanto um objeto útil na construção do mundo socialista. Como as universidades brasileiras são fábricas de idiotas úteis que servem a esse ideal sem saber, sempre que vemos um acadêmico escrever sobre quadrinhos de super-heróis, a abordagem é a mesma, que eles chamam de "problematização" ou, no dizer de Olavo de Carvalho: 

"A crítica cultural consiste em solapar as bases de uma cultura, mas proclamando ao mesmo tempo que o ser humano não pode se libertar dela nunca, só restando portanto estimular tudo quanto nela exista de negativo, de maldoso, de criminoso, para transformá-la numa cultura de ódio a si mesma, numa contracultura. É a ideia hegeliana do “trabalho do negativo” transformada em ativismo cultural. Um dos seus procedimentos mais característicos é depreciar a cultura vigente por meio de comparações pejorativas com outras culturas, concedendo a estas últimas o benefício do relativismo e espremendo aquela entre as exigências drásticas do moralismo absoluto. "

É exatamente isso o que o texto do blog RL fez, comparando a abordagem de Thor feita por Stan Lee com outras abordagens, com vistas a depreciar a mitologia dos super-heróis e com o objetivo claro de despertar o ódio por eles e pelo seu autor.

Para as pessoas que professam, mesmo sem saber, essa visão da cultura, todo bem cultural deve ter como objetivo unicamente a destruição de nossa cultura, de nossa sociedade. Esta é a "problematização" requerida pelo texto. Como Stan Lee, nos idos anos 1960, fazia quadrinhos essencialmente conservadores, ele é um mito a ser derrubado!

Aqui está minha revolta contra esse texto ridículo, pedante e medíocre. Comunistinhas de faculdade odeiam Stan lee.




3 Comentários:

Kamen Rider disse...

Belo texto Mauro.

Luiz Fernando disse...

O que mais tem é idiota querendo transformar HQ's e seus autores em "agentes do capitalismo".

Uns tempos atrás, uma colega que fez um curso de serviço social, pediu que eu imprimisse pra ela um texto que ela deveria usar num trabalho. O tal texto que o professor passou pra turma analisar, era um que falava sobre as mensagens capitalistas nas HQ's da Disney.

Quando bati os olhos naquilo fiquei indignado. Entre outros absurdos fala-se que o tio patinhas representava a face monstruosa do capitalismo, que o Donald era um vagabundo que realizava trabalhos humilhantes pra agradar o tio, que a Margarida só estava com o Donald porque ele era o herdeiro do patinhas, entre outras insanidades... Lixo.

Agora, se ensinam isso numa faculdade de assistencia social, imagine o que passam em outros cursos que são conhecidos redutos dos mais aloprados esquerdinhas universitários? Continuar nesse pé, opiniões como a desse cara do Raio Laser, serão cada vez mais comuns.

Infelizmente, o estrago intelectual que a turminha da esquerda vem fazendo no meio acadêmico será algo que levará séculos pra ser reparado.

Rogério disse...

no meio acadêmico de História é cheio de professores de esquerda, verdadeiros psicopatas vermelhos. Eu me formei em História mas não sou de esquerda, e todos os professores que tive eram ligados ao PT ou sindicatos. Agora quando leio quadrinhos, leio como ficção e sei discernir as ideologias que os autores tentam inculcar nos leitores.

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