3 de abr de 2012

O Maravilhoso Will Eisner

A cada dia que passa, acredito menos nas palavras "mestre" e "gênio". Quanto mais pesquiso, mais descubro o quanto usamos de forma errônea estes termos. Usualmente, os fãs preferem idealizar seus artistas preferidos como verdadeiros santos. Eu sou fã, mas sou acima de tudo um pesquisador. Will Eisner é um dos grandes nomes dos quadrinhos no mundo, o único que veio da Era de Ouro e chegou a nossa época com sucesso. Não foi passado pra trás pelas editoras e sempre me pareceu um exemplo de ética e profissionalismo.

Porém quando estive na exposição dos trabalhos dele no ano passado, descobri que muitas HQs de Eisner na verdade nem foram feitos por ele, mas sim por assistentes. Pesquisando mais, descobri que Eisner não criou o termo "graphic novel", mais um pouco e descobri que ele nem seuquer escreveu muitas de suas histórias mais conhecidas do Spirit!

Agora, em uma das minhas andanças por inúmeros sites em que busco peculiaridades sobre a Era de Ouro dos quadrinhos, descobri outro caso ainda mais chocante.

Wonder Man, personagem "criado" por Will Eisner em fevereiro de 1939, um plágio descarado de Superman (junho de 1938) , feito para a editora de um tal Victor Fox, a Fox Comics.

"Fred Carson viaja ao Tibet, onde encontra um monge que lhe da um anel mágico para lutar contra o mal. Ele se torna Wonder Man, com poderes idênticos a Superman."

DC Comics processou Fox por plágio e o obrigou a retirar o personagem de circulação. Foi o primeiro processo por plágio da indústria de quadrinhos americanos, conhecido como Detective Comics, Inc.(hoje DC Comics) contra Bruns Publications, Inc, ou Fox Comics.

Eisner contou essa história diversas vezes ao longo dos anos e a romanceou em O Sonhador, sua graphic novel sobre a luta dos artistas dos anos 1940 para se estabelecer no mercado de quadrinhos. Durante décadas, ele afirmou que criou o personagem a pedido de Victor Fox e que só aceitou plagiar Superman porque estava precisando de grana pra manter seu estúdio.

Sobre o processo, ele afirmava que foi a júri instruído por Fox a mentir e declarar a originalidade do personagem. Mas se recusou a isso e contou a verdade sobre o plágio, o que fez Fox perder o caso. Como retaliação, seu estúdio teria deixado de receber três mil dólares de pagamento, uma fortuna na época.

No entanto, dois anos atrás, o pesquisador de quadrinhos Ken Quattro descobriu a transcrição dos documentos do processo, com o depoimento de Eisner. O que realmente aconteceu contradiz a versão do artista.

Na realidade, Eisner, então com 22 anos, depôs sim como testemunha de Fox, mas ele afirmou, sob juramento, que não plagiou Superman a pedido de Fox e defendeu a originalidade do personagem, dizendo que criou Wonder Man antes de ler Action Comics #1, onde surgiu Superman.

Resumindo: Eisner plágiou Superman por dinheiro e depois mentiu sob juramento, negando o fato. Mesmo assim, passou décadas contando sua versão da história, onde endeusava a sí mesmo como um artista abnegado que pôs tudo a perder em nome da verdade e da ética. Puro mito.

Os documentos e a matéria original estão aqui. E aqui uma versão em português.

Cada vez mais acredito menos quando ouço falar em "mestres" dos quadrinhos.


...

4 Comentários:

shinobi disse...

post bem interessante, ser fã de um determinado roteirista tudo bem, mas muitas pessoas de fãs se tornam idolotradas, colocando os mesmos em um pedestal que não existe

Leandro Malósi Dóro disse...

Legal, conhecia já esses trabalhos. Cara, deixa eu apresentar alguns dos meus trabalhos:

http://contosemquadrinhos.blogspot.com.br/


http://www.bookess.com/read/4063-republica-de-mulheres/

http://www.bookess.com/read/9643-manchetes-de-um-sequestro/

http://www.bookess.com/read/8465-como-ja-disse-o-acougueiro/

Wagner Cordeiro disse...

Ele foi, talvez, um mestre das HQs, mas não quer dizer que tenha sido bom caráter.

Marcelo disse...

Nunca foi mestre em porra nenhuma, seus desenhos são toscos, os que ele realmente desenha(va) e não seus invisíveis "assistentes". Nunca entendi realmente o porquê de tanto oba-oba com esse cara, até aquele livrinho chato sobre arte-sequencial dele é um tédio. Suas histórias são bem rasteiras, superficiais e babacas, realmente nadado que ele escreve/finge que desenha me agradaram até hoje. E agora sei que é um puta de um mentiroso.

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